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Neto Coruja cobra mais de R$ 10 milhões do Vitória em ação trabalhista

Aposentado do futebol, o ex-jogador Ismael Soares Bastos Neto, popularmente conhecido pelo torcedor baiano como Neto Coruja, entrou com uma ação trabalhista contra o Vitória em junho deste ano. Revelado pelo Rubro-Negro, ele foi atleta do clube entre 2005 e 2015 e, em 2016, aos 28 anos, decidiu encerrar a carreira. Segundo o processo ajuizado no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, em Salvador, o ex-jogador cobra mais de R$ 10 milhões do Vitória na Justiça.


Na ação trabalhista, o ex-jogador cobra três indenizações, todas decorrentes de uma lesão sofrida em 2011. O documento diz que, à época, Coruja foi diagnosticado com uma grave lesão no tendão patelar do joelho esquerdo, e especialistas recomendavam que ele fosse operado. Segundo o processo, o departamento médico do Vitória preferiu o tratamento conservador e não a cirurgia, o que teria feito com que a lesão se “agravasse e limitasse seus movimentos”.

Manoel Machado, advogado do Vitória, informou que o clube ainda não foi notificado do processo. Machado disse não ter conhecimento da ação e que vai aguardar a notificação para analisar o caso e apresentar a defesa.

- Vou examinar com calma e, na ocasião própria, entrar com contestação. A rigor, não foi notificado. Estamos aguardando. Tomamos conhecimento através de vocês. Vamos aguardar a notificação, analisar e apresentar a defesa - explicou o advogado Manoel Machado.

Neto Coruja alega que a demora na solução do problema no tendão "foi acarretando inúmeros prejuízos à saúde laboral e física”. Em 2012, o então volante sentiu dores durante um treino e foi encaminhado ao departamento médico, quando um exame diagnosticou a ruptura do tendão patelar e foi necessária a intervenção cirúrgica. Mesmo após a cirurgia, Coruja continuou a conviver com uma série de problemas médicos nas temporadas seguintes pelo Vitória e, em 2015, foi negociado para o ABC, de Natal. Fora do clube, ele não conseguiu atuar em alto nível e decidiu encerrar a carreira em janeiro de 2016.

O ex-jogador do Vitória diz que a lesão patelar “mal curada” culminou na ruptura do tendão patelar e “desencadeou uma série de outras lesões, em sua maioria, lesões musculares”. Na ação, consta que, desde o diagnóstico do problema no tendão patelar, Neto Coruja sofreu aproximadamente 30 lesões, a maioria muscular. Advogado de Coruja, Filipe Rino explica que uma das indenizações cobradas diz respeito ao não pagamento de um seguro obrigatório após a lesão do então volante.

- Toda vez que um jogador tiver uma grave lesão, ele acionaria esse seguro e o seguro faria pagamento da indenização para o atleta. Mas os clubes, na sua grande maioria, não contratam ou, quando contratam, fazem de maneira diversa do que a lei determina. Até hoje nunca foi apresentado ao Neto a apólice do seguro. O valor [da indenização] é 13 vezes o salário do atleta, que seria R$ 650 mil. Como sofreu acidente de trabalho em 2012, 2013 e 2014, seria esse valor para cada ano.

A segunda indenização cobrada por Neto Coruja é por conta dos prejuízos que teria sofrido com o término precoce da carreira, em valor de cerca de R$ 3 milhões.

- Você deixa de receber antes do fato, no caso acidente do trabalho. A gente faz uma média. O Neto teve que parar com 28 anos e cobramos da data que encerrou até os 36 anos, 37 anos, que é quando é estimada a carreira de um jogador.

Neto Coruja também cobra do Vitória uma pensão vitalícia.

- O Código Civil determina que quando houver acidente em que a pessoa fique incapacitada para desenvolver a profissão, quem ocasionou esse acidente ou concorreu com culpa deve pagar pensão vitalícia. Não tem valor exato. Normalmente, a jurisprudência fixa em 30% do salário. Daria R$ 15 mil por mês. A estimativa de média de brasileiro é de 70 anos, então daria mais ou menos R$ 7 milhões em todo esse período. [O Código Civil] deixa a escolha se vai receber mensalmente ou de uma vez só para quem sofreu o acidente – afirma o advogado Filipe Rino.

Por último, Neto Coruja exige do Vitória o pagamento da diferença da redução salarial sofrida em 2014. O ex-jogador alega que naquele ano renovou o contrato com o clube, mas teve os vencimentos reduzidos de R$ 50 mil para R$ 20 mil. Na ação, a diferença salarial pedida por Coruja, com os acréscimos de FGTS, férias e 13º salário, gira em torno de R$ 600 mil.

Neto Coruja tem uma audiência com o Vitória marcada para o dia 22 de agosto, na 29ª Vara do Trabalho. Filipe Rino garante que Neto Coruja está aberto a um acordo com o clube e que não pretende fazer com que o processo se arraste por muitos anos.

- Foi marcada audiência para 22 de agosto. Inicialmente vamos tentar acordo, estamos em negociação. Até porque o processo pode se arrastar por anos com condenação do clube, e isso não seria bom para os dois. O acordo seria a melhor oportunidade. Caso não seja feito o acordo, será marcada uma perícia médica, e o médico juntará o laudo ao processo. Depois acontece a audiência de instrução, quando as partes serão ouvidas. E depois vai para sentença - afirma Filipe Rino.

GE

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