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O Adeus de Alex Aves

A velocidade com que driblava os marcadores não conseguiu passar por uma doença rara que atingiu a medula óssea. Aos 37 anos, o ex-atacante Alex Alves faleceu ontem no hospital Amaral Carvalho, em Jaú, interior de São Paulo. Vítima de uma ‘hemoglobinúria paroxística noturna’, a doença se manifestou em 2007, mas apenas este ano, Alex Alves resolveu iniciar o tratamento no interior de São Paulo, longe dos holofotes. Comedido, o ex-jogador entrou na fila do SUS em São Paulo para não ter a vida privada exposta nos jornais.
 
Alex Alves chegou a fazer o transplante de medula, cedido pelo irmão no dia 7 de outubro, dia do aniversário da sua filha, Alexandra, fruto da relação com a modelo Nádia França. “Foi o maior presente que eu pude receber”, disse a filha na época ao programa Esporte Fantástico, da TV Record.
Após o transplante, o ex-jogador estava confiante no processo de recuperação e ficou mais próximo dos amigos. “Ele estava tão animado... ele estava muito ligado a João (Marcelo) agora no fim de vida dele. João é um cara especial, sabe? Uma pessoa excepcional, um cara que eu não tenho adjetivo para expressar”, comentou o ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro.
 
“Alex tinha uma doença rara e teve alterações que já afetavam outros órgãos antes da doação. O transplante foi bem sucedido. A medula se regenerou, mas a mesma medula causou a rejeição ao corpo dele. Essa agressão atingiu pele, fígado e intestino”, informou o médico Mair Pedro de Souza, através de nota oficial.
 
Alex Alves chegou ao Vitória em 1987, aos 12 anos. Como a grande maioria dos garotos, enxergava no futebol a chance de dar uma vida melhor à família. Destaque do rubro-negro na campanha do acesso na Série B de 1992, o menino da camisa 7 estourou de vez no ano seguinte. Ao lado de amigos como Dida, João Marcelo, Vampeta e Paulo Isidoro, Alex levou o Vitória ao vice-campeonato brasileiro, título perdido para o Palmeiras.
 
Em 1994, o atacante foi negociado justamente com o time paulista e foi campeão brasileiro no mesmo ano.

Passou ainda por Portuguesa, Atlético-MG, Vasco, Boavista, Fortaleza e Kavala, da Grécia. Mas foi no Cruzeiro e Hertha Berlim, da Alemanha, que o jogador teve o maior destaque. No clube mineiro, formou dupla de ataque com o também baiano Marcelo Ramos e foi vice-campeão nacional novamente (1998). Ganhou a Europa e parou no clube alemão. Por lá, fez 25 gols em 81 partidas e virou ídolo.
 
O último clube de Alex foi o União Rondonópolis, do Mato Grosso, em 2010. Oficialmente, nunca encerrou a carreira. Alex teve duas passagens pelo Leão. Além do início, em 1991, marcado pela velocidade das arrancadas em direção ao gol, ele voltou em 2005. Foi campeão baiano, mas não teve tanto destaque na disputa da Série B. O Leão acabou rebaixado à terceira divisão.

Visual - Outra marca registrada do atleta era percebida fora dos gramados. Vaidoso ao extremo, Alex Alves sempre foi marcado pelo seu visual apurado. O jogador foi o precursor do metrossexualismo entre os boleiros.

Era comum ele andar com roupas extravagantes e chamava a atenção de todos. A sunga de crochê era presente no vestuário do craque. “Ele era introspectivo, era marrento, né? Mas ele ganhava 400 por mês, não podia ser vaidoso com 400 por mês. Não lembro a moeda, mas equivalia hoje talvez ao salário mínimo”, recorda Paulo Carneiro.

Dificuldade -Apesar do sucesso nos gramados, a vida financeira andava mal. Na Alemanha, Alex Alves chegou a ganhar cerca de 100 mil dólares por mês. Isso em 2000. Mas, mesmo ganhando tanto dinheiro ao longo da carreira, terminou a vida em dificuldade financeira. Já não tinha casas, terrenos, carros.
 
“Ele era uma ótima pessoa pra quem conhecia. Simplesmente ele tomou umas decisões erradas na vida que não vem ao caso comentar”, disse Paulo Carneiro, que prefere não condenar as atitudes do ex-jogador. “É por isso que nós temos que acabar com essa imagem que o atleta é vagabundo, é farrista. O atleta é ser humano como todos nós. Todos temos problemas”.
 
Os amigos estavam até organizando um jogo beneficente para ajudá-lo a se recuperar. “Alexi Portela tinha cedido o Barradão para o início de dezembro. Vinha Vampeta, Edílson, Rodrigo...”, lembra Flávio Tanajura, auxiliar da direção do Vitória. Pena que o juiz apitou o fim antes da partida começar.
 
Por: IBahia

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