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Entrevista com o meia Pedro Ken

Pedro Ken é o retrato do que não se espera de um jogador de futebol. Sem gírias, frases de efeito e o popular estereótipo do atleta profissional, o meia tem sido o principal destaque do Vitória nesta Série B do Campeonato Brasileiro. Paciente, calmo e com opiniões bem definidas – características que já o fizeram sofrer preconceito no início da carreira –, o jogador recorre à leitura e à força da religião para ajudar na boa fase dentro de campo.

 
Filho de japonesa com mineiro, Pedro Ken herdou a paciência e educação nipônica da mãe e o gosto pela leitura do pai. Os livros o acompanham em casa e nas concentrações. A preferência é pelas biografias, e uma delas tem lugar especial na estante do jogador.

 
- Uma que eu li e me marcou, que eu gostei muito, foi a biografia do Lance Armstrong, ‘De volta à vida’. É a história dele, um cara que teve mais de 90% de chance de morrer, conseguiu sobreviver e virou o campeão que ele é – conta o jogador.

 
Com o exemplo marcante do ciclista americano, Pedro Ken tem escrito com letras redondas sua história com a camisa do Vitória. Sofreu quando não foi aproveitado, reforçou os laços com o espiritismo e, com persistência, ganhou de vez a titularidade na equipe. Humilde, o meia diz não se considerar fundamental para o time. Os números – um gol e quatro assistências – provam o contrário.
Titular em sete jogos do Vitória nesta Série B, o meia tem sido o maestro do grupo dentro de campo. Com a experiência de quem já conquistou a Segunda Divisão pelo Coritiba, enaltece o trabalho de Paulo César Carpegiani, diz já ter uma ligação com a torcida do Vitória e reforça o grande objetivo do ano: ajudar o Rubro-Negro a conquistar seu primeiro título nacional.

 
Você aparenta ser um atleta diferente daquele estereótipo de boleiro. Já sofreu algum tipo de preconceito por isso?

 
 Mais no começo da carreira, por não vir de família de classe baixa, por ter uma formação melhor... Na divisão de base se falava muito: ‘Pô, o cara vem de família boa, não vai aguentar a pressão, não vai aguentar passar por dificuldade'. Foi mais nessa época mesmo. Hoje em dia é mais tranquilo, todo mundo me respeita mais como profissional, e também tem outros exemplos de jogadores que estão vencendo.

 
Você já disse que gosta muito de ler. Quais tipos de livro prefere?

 
 Eu leio um pouco de tudo. Desde clássicos até biografias. Livros em geral. O que eu mais gosto mesmo é biografias. Acho legal saber um pouco da história de pessoas, das pessoas que passaram por dificuldade e conseguiram vencer, ter sucesso. Acho que são exemplos de vida e de vitória. Se for para escolher um tipo de livro, eu gosto de biografia, mas eu leio de tudo.

 
Alguma biografia te marcou mais?

 
 Eu já li diversas biografias. Uma que eu li e me marcou, que eu gostei muito, foi a biografia do Lance Armstrong, 'De volta à vida'. É uma biografia que já faz um tempinho que saiu. É a história dele, um cara que teve mais de 90% de chance de morrer, conseguiu sobreviver e virou o campeão que ele é. É um livro muito forte. Ele lutou contra o câncer. É um dos livros que eu mais gosto. Mas tem vários outros também. Você pergunta assim e eu acabo esquecendo (risos).

 
Você costuma frequentar um centro espírita em Salvador. Acha que este lado religioso tem relação com o seu sucesso dentro de campo?

 
 Acho que ajuda na vida, não só no futebol. Todo mundo procura respostas, um conforto, nos momentos de vitória e nos momentos difíceis também. É uma coisa que me ajuda e me ajudou. Essa ligação com Deus com certeza me ajuda. É uma das coisas que hoje em dia eu valorizo, ainda mais depois que passei por momentos difíceis, de não estar jogando, e você acaba desenvolvendo ainda mais o lado espiritual, que está cada vez mais forte.

Qual, para você, é a principal característica deste elenco do Vitória?

 
 Acho que o comprometimento e a união do grupo, além da qualidade. Nosso elenco é de Série A. É um time que, com certeza, estaria disputando a Série A de igual para igual. Acho que o comprometimento com o objetivo, com o que o treinador pede, e a união. Acho que a gente está aprendendo a gostar um do outro, a estar junto, jogar junto. Isso é essencial.

Muita gente criticou a opção de Carpegiani de ficar nas cabines e deixar Ricardo Silva na beira do campo, mas vem dando resultado. Qual sua opinião sobre isso? Tem alguma influência para vocês?

Acho que não, até porque o Ricardo é um cara que conhece muito o grupo e tem essa facilidade em se relacionar na beira do campo, de falar a língua do jogador. O Paulo gosta de assistir ao jogo lá de cima, vendo a parte tática da equipe, como o time está se portando, o que às vezes não dá para ver quando está na beira do campo. Acho que esse casamento vem dando certo, entre ele o Ricardo nessas funções. Tomara que continue assim. É uma coisa diferente, mas que tem dado certo.

E qual a importância de Carpegiani para esse bom começo de Série B do Vitória e de seu crescimento?

É a experiência. Ele é um treinador que tem uma vivência muito grande, trabalhou em grandes clubes, seleções, e sabe como agir, como pensar e como passar as coisas para nós. É um treinador muito exigente, muito perfeccionista. Para mim tem sido bom e acho que para o grupo também. Eu, como procuro sempre fazer o melhor e atender o que os treinadores pedem, acho que essa disciplina tática me ajuda muito e tenho me encaixado bem na forma que ele quer que o Vitória jogue.


Nesse encaixe no time de Carpegiani, você fez um gol e deu quatro assistências. Você se considera fundamental nesse time?

Não, não. Acho que ninguém é fundamental em situação nenhuma. O futebol é dinâmico. Acredito que hoje eu tenho uma importância no grupo, porque estou jogando há um bom tempo, com ritmo de jogo, e tenho feito boas partidas. Não diria que sou fundamental, acho que importante, como vários outros jogadores. Cada um tem a sua importância.

Em 2007 você ajudou o Coritiba a conquistar o título da Série B. A experiência daquele ano tem te ajudado no Vitória agora?

Acho que sim. Tudo que você já viveu na tua vida serve de aprendizado. Naquela época, juntamente com o clube, fui muito feliz e consegui alcançar o objetivo. É mais ou menos o mesmo objetivo do Vitória. O Coritiba não tinha subido no primeiro ano que tinha caído também. Um pouco mais de experiência me ajudou bastante. Realmente isso me ajudou bastante.

Pelo que viveu em 2007, acredita que o Vitória está com cara de campeão?

Acho que é muito cedo para falar ainda. A gente entende a empolgação da torcida, da imprensa, mas a gente tem que ter o pé no chão. Ainda tem muita coisa pela frente. É o objetivo que a gente tem, de ser campeão, mas eu acho ainda muito cedo. Tem que manter o pé no chão, o foco, e concentrar no campeonato.

Depois que saiu do Coritiba, você não conseguiu ter o mesmo sucesso no Cruzeiro e no Avaí. O que aconteceu nesse período?

Acho que no Cruzeiro, quando cheguei, joguei no primeiro semestre, fui para todos os jogos, joguei Libertadores, mas acredito que não tive uma sequência de jogos como titular e acaba sendo difícil você se firmar na equipe. Além de o grupo do Cruzeiro já ter um time que jogava junto há muito tempo, que acaba sendo difícil de outro jogador entrar. Mas depois vieram algumas mudanças dentro do clube e eu não tive mais oportunidade de jogar, não me colocaram mais para jogar. Fiquei lá sem jogar e acabei depois indo para o Avaí. Na época, o Avaí tinha saído na semifinal da Copa do Brasil, e achei que fosse um time para brigar lá em cima no Brasileiro. Infelizmente as coisas não deram certo para o time, mas eu cheguei lá e joguei. Agora, é difícil você se destacar em um time que está caindo. Mesmo assim eu ainda fui titular em praticamente todos os jogos em que estive à disposição do treinador. Fiz boas partidas, mas é diferente de estar brigando lá em cima.

Foi por essa opção de ir para o Avaí que você recusou as propostas do ano passado de Bahia e Vitória?

Não. Na época até saíram algumas notícias de que eu tinha recusado, mas foi uma coisa do Cruzeiro também, uma coisa de empresário. Não fui eu que recusei, que não quis jogar, até porque se hoje eu estou aqui, não tem nada a ver não ter vindo para cá no ano passado. As pessoas falam demais no meio do futebol e ninguém me perguntou nada. Eu não dei declaração nenhuma de que não queria vir jogar no Bahia ou no Vitória. Nunca falei isso para ninguém. Falaram que eu tinha falado. Foi a melhor opção que aconteceu ali, um casamento. O Cruzeiro também achou que seria bom para mim, e foi a opção que a gente teve. Mas eu não recusei nada.

Pensa em continuar no Vitória para o próximo ano?

Penso. Mas meu primeiro objetivo é subir o Vitória e, quem sabe, ser campeão. Isso é uma coisa a se pensar mais para frente. Eu aprendi nesse tempo que eu tenho de futebol que você tem que colocar objetivos a curto prazo. Não adianta ficar pensando daqui a um ano, dois, porque tudo pode mudar em um mês, dois meses. Meu objetivo principal e no que estou focado e concentrado é subir o Vitória. Depois a gente vê o que acontece. Estou bem adaptado, gosto muito do clube e do pessoal. Vamos ver o que acontece.

Fonte: Globo Esportes

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