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Entrevista com Neto Baiano

O atacante Neto Baiano, artilheiro do Vitória na Série B 2011 do Campeonato Brasileiro, é o entrevistado da coluna Esportes desta semana. O centroavante garantiu que não aceitaria uma proposta do maior rival do rubro-negro, caso houvesse interesse, e revelou que pensa em voltar a atuar fora do país. “Já está chegando um tempo que estou pensando ir para fora, ficar mais um tempo fora do país”, informou. Na conversa, ocorrida às vésperas da derrota de seu time para o São Caetano, no último sábado (19), o atleta garantiu que levaria a melhor na aposta que fez com o atacante Souza, do Bahia, sobre a artilharia dos dois no Brasileirão, e voltou a dizer que Nikão fez um péssimo negócio ao trocar a Toca do Leão pelo Fazendão.

 O artilheiro, nascido em Ituaçu, no sudoeste do estado, revelou ainda o motivo da confusão na renovação do seu contrato com o rubro-negro, no início do ano. “Tinha duas propostas do Japão e passei para o Vitória. (...) Os dias foram passando e a proposta era muito boa financeiramente e precisava definir isso, pois tinha 28 anos, e tenho que dar uma vida melhor para minhas filhas no futuro”, elucidou.

Bahia Notícias - Neto, primeiro conte um pouco do início da sua carreira.

Neto Baiano - Comecei um pouco tarde. Saí de Ituaçú, interior da Bahia, através de um empresário, André Cury, que me viu jogando nos campos deste local, disputando torneios. Depois disso fui atuar no Mirassol, em 1999 e 2000, quando fui para o Japão. Depois dessa primeira passagem por lá, voltei para o Mirassol, onde disputei um campeonato em 2002, sendo o artilheiro do Paulista. Após essa passagem pelo Mirassol, fui para o Mogi Mirim e Coreia do Sul. Também tive uma passagem rápida pelo Corinthians de Alagoas, onde disputei uma Taça São Paulo. Fiquei ainda três meses na Turquia e voltei para o Mogi Mirim. Fiz um campeonato excelente no Mogi e voltei para a Coreia. Retornei da Coreia para o Brasil. Esqueci o time agora [risos]. É tanto clube. Lembrei. Voltei para o Mirassol e joguei no Paulista de Jundiaí, quando fui vendido para o Atlético-PR. Depois da passagem pelo Atlético-PR, joguei no Palmeiras, Fortaleza, voltei para o Paulista, atuei no Ipatinga, Ponte Preta e Vitória. Fiquei no Vitória uns seis meses e fui para o Japão, retornando para a Toca do Leão em seguida.

BN - Você pode ser considerado um cigano do futebol, após passar por tantos clubes. Como foi essa passagem pelo futebol asiático?

NB - Os países asiáticos são maravilhosos. Tanto a Coreia, quanto o Japão e Vietnã, que também joguei e esqueci de falar. Foram países que eu aprendi bastante, que me adaptei muito rápido e que graças a Deus fiz sucesso. Mas o Japão foi o país que me dei melhor desses dois. Lá foi onde eu mais fiz gols e me senti bem, além de ser bem recebido.

BN - Algum fato inusitado no Japão?

NB - Nem tanto, mas o que mais me deixava assim, meio preocupado, era a questão dos terremotos. Acontecia diariamente. Tinha dias que eu ia para a praia de bicicleta e esperava um pouco para voltar pra casa. Tinha que acostumar, porque eram dois ou três por dia.

BN - Você era considerado um “jogador problema” por parte da imprensa e dos clubes que atuou. Como começou a refletir que isso não o levaria a nenhum lugar?

NB - Acho que a família. Os filhos vão chegando e a idade também e você acaba aprendendo no dia-a-dia. Você vai perdendo muitas coisas por ser indisciplinado e por ter uma má conduta fora de campo. Tudo isso foi um aprendizado, mas agradeço muito a Deus por ter me ajudado bastante. Vários amigos, família, me dando conselhos, meus amigos da imprensa, que me ajudaram com conselhos e agradeço por isso. Minha cabeça está boa desde então.

BN - Quando você retornou do Japão, ficou uma novela para assinar a renovação. Por que aceitou a proposta do Vitória? O que pesou?

NB - Não foi questão de pesar. Tinha duas propostas do Japão e passei para o Vitória. Achei que o Vitória poderia me liberar sem problemas e receberia o dinheiro que os caras queriam dar ao clube. Só que o Vitória não demonstrou interesse de renovar meu contrato. Os dias foram passando e a proposta era muito boa financeiramente para mim e precisava definir isso, pois tinha 28 anos, e tenho que dar uma vida melhor para minhas filhas no futuro. Então, eu precisava sair. Conversei com a diretoria e eles resolveram não me liberar. Tomei uma atitude errada de sair do Vitória sem consultar a diretoria, deixando o clube por outras vias. Eu acabei abrindo mão de várias coisas para renovar com o Vitória. Pelo meu interesse, terminei renovando por um salário abaixo do que ganho e para o ano que vem eu não aceitarei ganhar o que ganho hoje. O salário não é baixo, mas não é o que esperava. Mas isso deixo para lá e é bola para frente, como falo. Se Deus quiser, teremos outro contrato no ano que vem.

BN - Você falou sobre a renovação com o Vitória. Já tem alguma coisa em mente?

NB - Tenho mais um ano de contrato com o Vitória e é como deixei claro para você: tenho que sentar com a diretoria de novo, porque já tenho 29 anos e preciso ganhar meu dinheiro e ter minhas coisas. Todo mundo sabe do amor que tenho pelo Vitória e não escondo de ninguém. Então, vamos deixar a diretoria sentar e rever meu contrato. O presidente me prometeu que isso aconteceria se subíssemos. Vamos deixar o Vitória resolver, mas primeiro temos que pensar na Primeira Divisão para sentarmos e conversarmos.

BN - Você chegou a dizer, em entrevista ao Bahia Notícias, que aconselharia o jovem Nikão a não ir para o Bahia, pois ele merecia coisa melhor. Acha que ele se deu mal lá?

NB - Acho que ele saiu no momento errado, para o lugar errado e time errado. Por que eu falo isso? Porque Nikão estava em um nível que não era para ele sair do Vitória, se queimando com o clube, para jogar no Bahia. Ele poderia ter saído para um time fora da Bahia, não se queimando dessa forma. Não posso dizer que ele era ídolo no Vitória, mas já estava caindo nas graças da torcida. Ele fez uma coisa errado e as portas para retornar ao Vitória, eu acho que estão fechadas, pelo menos no momento. E graças a Deus ele está bem nesta reta final no Bahia, pois tem jogado e mostrado seu trabalho. Porque, senão, seria mais um clube que ele passaria, como vários que passou e não jogou. Por isso que falei com ele. Eu sabia que no Bahia seria só uma provocação. Os caras do Bahia não o queriam. Agora ele está mostrando nos treinamentos que tem qualidade e todos nós sabemos que ele é um grande jogador e uma ótima pessoa também. Tenho ele como uma pessoa da minha família, um cara que gosto e sempre quero seu bem. No momento eu tinha certeza que o Bahia não era o clube certo para ele.

BN - Se o Bahia te convidasse, qual seria sua resposta?

NB - Não tem como eu jogar no Bahia. Por que eu falo isso? Muitos jogadores falam que queimam a língua, né? Mas eu acho que não tem como. Pelo amor que eu tenho ao Vitória, pelas coisas que já falei do Bahia, por tudo. O amor que eu tenho ao Vitória, todo mundo sabe, não tem condições nenhuma de ir para o Bahia por isso. O carinho que a torcida tem comigo, a diretoria tem comigo e pela minha idade também. Já está chegando um tempo que estou pensando ir para fora, ficar mais um tempo fora do país.

BN - O Souza, atacante do Bahia, fez uma aposta com você pela imprensa. Por enquanto, você está ganhando e parece que ele não vai te ultrapassar em gols marcados. Vai cobrar dele?

NB - Acho que temos que ser homem, né? Se a gente fez uma aposta diante da mídia, temos que cumprir. Se eu perder, vou cumprir. Acho muito difícil perder para o Souza em questões de gols. Eu estou com 14 gols e ele com 10. Eu ainda tenho mais dois jogos e ele três. Mas é isso aí. Acho que é uma aposta legal, uma aposta que eu e ele colocamos para ajudarmos as pessoas que necessitam, R$ 10 mil em cesta básica. Então, temos que cumprir a palavra. Pelo que o pessoal fala dele, é um cara honesto, direito e acho que ele não vai pisar na bola em não pagar.

Por: Bahia Notícias

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